Nem sempre a vida é como queremos
Oi, sou Rhennan.
Estive pensando em tantas coisas, sabe? Por exemplo, que nem sempre a vida é como queremos ou como achávamos que seria. Quando somos novos achamos que podemos conquistar tudo, que seremos ricos até tal idade… Mas a realidade da vida nos mostra que há limitações. Não estou falando sobre exceções de jovens que ficam ricos aos 20 ou 30 anos, mas sim da maioria de nós, pessoas comuns que provavelmente nunca serão ricas.
Para dizer a verdade, desde jovem tive acesso à educação, e praticamente o que eu quisesse estudar tinha disponível, mas o que eu mais queria desde sempre era morar no exterior, não nos lugares que todo mundo sonha, mas sim em países como Japão e China, então, eu tinha certeza que bastava eu saber falar inglês muito bem e desenrolaria uma carreira internacional. Fui fazer faculdade de letras inglês, e logo começaram a aparecer oportunidades de emprego, mas eu havia esquecido de um pequeno mas importante detalhe, que para ser professor você precisa gostar de interagir com pessoas, justamente minha maior dificuldade até hoje. Logo percebi que o curso não era pra mim. Eu tinha apenas 17 anos quando entrei na faculdade pública.

Logo tentei um segundo curso, bacharelado em turismo, tinha certeza que era o curso certo, pois, turismo = viagens, certo? errado. Turismo é planejamento, políticas públicas, administração, eventos e muitas outras coisas. Dei uma pausa do curso por achar tudo muito chato, na verdade eram os professores que não colaboravam muito, logo retornei, o curso havia passado por uma atualização curricular, novos professores entraram para lecionar e o curso que antes era chato e sem futuro, começou a tocar meu coração, então, me apaixonei pelo curso e finalizei.
O curso de turismo me deu diversas oportunidades, fui selecionado por duas vezes para estagiar na Infraero, mas acabou não dando certo, depois dentre 900 candidatos fui selecionado para trabalhar na Gol Linhas Aéreas, mas eu também estudava comércio exterior, e na mesma época surgiu a oportunidade de trabalhar nessa área, então abri mão da vaga da Gol (um grande arrependimento), comecei a trabalhar para uma empresa de comes pequena de São Paulo, contatos e mais contatos internacionais em busca de distribuidores para grandes marcas de cosméticos brasileiras, foi um grande sucesso pessoal, por outro lado, apesar de ser grato pela oportunidade, minha ex-chefe se aproveitou de minha inocência e nunca pagou as comissões devidas, eu até cogitei processar, mas depois pensei, “pelo menos agora tenho experiência”, e deixei para lá e decidi sair desse emprego, pois, já havia conseguido outro na área de Feiras de Negócios também em São Paulo, onde fiquei trabalhando por quase dois anos.
Durante o período que trabalhei nessa empresa, acho que foi onde mais desenvolvi a comunicação, mas o ambiente era extremamente tóxico, além disso, a maioria das pessoas não era profissional, só queriam status, uma verdadeira tristeza, você dava idéias, tentava colaborar e nenhum retorno, eu levei diversos clientes internacionais para o evento, apesar disso, essa ação nunca foi reconhecida, e nenhum centavo foi gasto para alavancar a busca pelos clientes internacionais, enquanto que pessoas que nem trabalhavam eram presenteadas com salários altíssimos, por isso, decidi sair, sem emprego e conversando com clientes meus, nenhuma oportunidade surgiu, por isso, acabei tendo que me mudar para uma cidade do interior do norte do Brasil.
Essa mudança, claro bastante impactante, devido ao clima, hábitos, comportamentos foi muito impactante, pois, sou naturalmente uma pessoa muito quieta, calma e tranquila, qualquer gesto mínimo de informalidade no trabalho já gera desconforto para mim. Mas talvez seja algo que eu deva aprender, pois, a vida é isso. Gosto disso? não, mas é o que há no momento, e outra coisa, eu sempre quis ter a oportunidade de contribuir de algum modo para a comunidade, para as pessoas, com projetos de políticas públicas e agora provavelmente poderei fazer isso. Sei lá, sabe quando você atinge um ponto na vida e sente que está perdido, sem saber muito o que vai ser, o que vai fazer, onde vai morar no futuro? To nesse momento, me sinto extremamente qualificado e preparado mas sinto que não me encaixo em lugar algum, as conversas, as pessoas, a informalidade, tudo me incomoda.
Provavelmente ninguém vai ler isso, mas é apenas um desabafo de um jovem não tão jovem….